

Fantasia Urbana/ Horror Folclórico/ Horror Psicológico
FIcçÃo/ CURTA-METRAGEM
15 MINUTOS
(14+)
TEASER
Quatro magnatas da elite paulistana, presos em uma estética de eterna e tóxica adolescência, descobrem, durante uma crise sobrenatural causada pela entidade indígena Anhangá, que suas ideologias opostas são apenas braços da mesma família milenar. Em um ritual que mistura ocultismo e marketing político, eles devem decidir se salvam a cidade ou se apenas rebatizam a sua própria tirania.
ANHANGÁ

O Vale do Anhangabaú é a ferida aberta de São Paulo, onde o "progresso" sepultou a natureza.
Para os Jesuítas,
"Anhangabaú" significava "Rio do Diabo",
numa tentativa de demonizar a cultura local.
Mas, na mitologia Tupi,
o Anhangá é um espírito protetor da floresta,
a entidade mais potente,
muitas vezes um veado branco com olhos de fogo,
que pune quem desrespeita a natureza.
A lenda diz que as tribos locais não bebiam nem nadavam naquele riacho porque ele pertencia ao Anhangá.
Quando a cidade "matou" o rio, canalizando-o para o subsolo e colocando asfalto e viadutos, aprisionou a entidade.
Anhangá não pode voltar para a floresta,
porque a floresta não existe mais.
SINOPSE
Em uma São Paulo paralisada por uma letargia epidêmica e assombrada por um zumbido tectônico de baixa frequência que se mistura a gritos, fenômeno atribuído ao despertar da "Fúria do Anhangá"; quatro figuras centrais do poder são convocadas por um facilitador oculto para conter o colapso iminente. Interpretados por jovens adultos com aparências
plásticas e perfeitas de quem não envelhece, e a gravidade brutal de estadistas, os protagonistas encarnam os pilares da sociedade: O Coronel (a força militar), O Humanitário (o cinismo do mercado), A Teórica (a intelectualidade inerte) e A Herdeira (a decadência cultural).
Após um primeiro encontro no Vale do Anhangabaú falhar devido a dogmas ideológicos irreconciliáveis, e atormentados por sonhos que expõem suas mediocridades íntimas, o quarteto converge para um jantar solene e surrealista nos corredores subterrâneos da Galeria Prestes Maia. Cercados por observadores nas sombras e embalados por uma performance lírica desoladora da Herdeira, um tenso debate social desmorona quando a genealogia de seus sobrenomes revela a verdade final: embora performem ideologias opostas, todos pertencem à mesma linhagem oligárquica milenar. Sob o ultimato entregue por um mensageiro misterioso, os quatro realizam um ritual ancestral oculto, renovando pactos de sangue longe dos olhos públicos.
O filme culmina em uma apoteose midiática no Vale: cercados por celebridades e holofotes, o grupo anuncia a "Nova Liberdade" e a "Cura da Cidade". No entanto, sob o barulho dos aplausos e o glamour da festa, a vibração invisível da terra continua a sangrar sob o concreto, sugerindo que a suposta salvação não passou de uma sofisticada manobra de marketing para manter a dinastia eterna no poder.
PERSONAGENS

EZEQUIEL
O HUMANITÁRIO Centro/Mercado/
Liberal
Fala manso, usa termos como "sinergia", "empoderamento" e "resiliência", MESTRE EM RAPPORT, é o mais ganancioso. PERCEBE CADA DETALHE.

MAGDALENA
A HERDEIRA
Tradição/ ELITE CULTURAL
Cantora lírica fracassada. Veste alta costura vintage. Vive dopada de remédios e nostalgia. É a face "bela" e inútil do poder.

EMANUEL
O CORONEL
A Extrema-Direita/Ordem
Veste farda de gala ou terno estruturado. Paranoico, vê inimigos em toda parte. Discurso de "limpeza".

CLOÉ
A TEÓRICA
Esquerda Acadêmica/
Discurso
Veste roupas de tecidos naturais, óculos pesados. Intelectual, CONFRONTA com palavras difíceis E ARGUMENTOS IRREFUTÁVEIS,
Julga a todos moralmente.

A concepção do elenco baseia-se na estética da Neotenia. Optamos por atores jovens adultos (Young Adults) com traços faciais infantis e delicados, submetidos a uma caracterização que ressalta uma pele artificialmente perfeita, quase plástica.
Esta escolha narrativa visualiza uma oligarquia que, embora milenar no poder, recusa-se a amadurecer. São figuras presas em uma adolescência tardia e tóxica, misturando a beleza da juventude com a decrepitude moral de tiranos seculares. Eles bebem, fumam e ordenam execuções com a leviandade de quem joga videogame. Rosto angelical de 20 anos performando a crueldade cínica de um coronel de 70, potencializa o horror psicológico e atualiza a crítica à elite brasileira: mimada, esteticamente obcecada e politicamente imatura.

O FACILITADOR
Um homem com nanismo, vestindo trajes de um domador de circo vitoriano (casaca vermelha, cartola gasta), que atua como
um burocrata cínico e atemporal.
Uma Produção: NUIT FEERUM
Roteiro: SIAO FEERUM & NUIT FEERUM
Direção: SIAO FEERUM